Um relatório do Parlamento da Ucrânia revelou nesta segunda-feira
(20) que mais de 300 soldados foram mortos durante uma batalha de uma
semana que marcou um retrocesso da campanha militar do país para vencer
os separatistas pró-Rússia. Estima-se que o número final de soldados
mortos seja ainda maior.
O documento é a primeira confirmação da escala da derrota sofrida na
cidade de Ilovaisk, que críticos do comando militar descreveram como
resultado de uma liderança desastrosa. A investigação do Congresso,
segundo o relatório, não recebeu o apoio de autoridades militares.
"Nem o Ministério da Defesa e nem o Comando Militar responderam a
questionamentos do comitê de investigação sobre as perdas nas forças
armadas", afirma a declaração. Em agosto, as tropas do governo foram
dizimadas pelos separatistas em Ilovaisk, num ataque aos rebeldes que
terminou com os militares sendo cercados e tendo de recuar sob intenso
fogo inimigo.
O ministro da Defesa que estava no comando durante a operação renunciou
ao cargo na semana passada. A Ucrânia defende que as forças rebeldes têm
recebido suprimentos da Rússia e que os fracassos na campanha militar
não teriam ocorrido sem a interferência de Moscou. O governo russo nega
as acusações.
Um acordo de cessar-fogo entre os dois países foi assinado há um mês,
mas o ajuste é violado com frequência. Os líderes europeus, que
impuseram sanções ao governo russo, exigem o cumprimento do acordo, além
do fim de controle russo nas fronteiras e eleições locais no leste da
Ucrânia de acordo com as leis do país, e não sob domínio dos rebeldes.
Nesta segunda-feira, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que
ainda há um longo caminho a se percorrer até que o cessar-fogo seja
cumprido e ressaltou que a integridade territorial da Ucrânia precisa
ser garantida "não só no papel".
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 300 pessoas
tenham sido mortas no confronto desde o cessar-fogo, e soma pelo menos
3.660 vítimas nos seis meses de conflito.
Fonte: Folha PE
Fonte: Folha PE
