O governo excluiu 5,8 milhões de famílias do programa Tarifa Social
da Baixa Renda neste ano, quase metade do total de beneficiados. O
programa, que concede desconto na conta de luz de famílias com renda per
capita de até meio salário mínimo, é uma das principais bandeiras dos
governos Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O número de excluídos foi obtido pelo Broadcast, serviço em tempo real
da Agência Estado, com fontes do setor. Até o ano passado, 13,1 milhões
de famílias tinham direito à Tarifa Social programa que concede
descontos escalonados de 10% a 65% na conta de luz. A Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel) alega que as famílias excluídas do programa
não se enquadram mais nos critérios exigidos pelo governo.
"Nossa preocupação foi garantir que todos que merecem o benefício
continuem recebendo e assegurar que quem não faz jus ao programa não
seja subsidiado", disse o diretor da Aneel Tiago de Barros Correia.
Todas as pessoas excluídas tiveram problemas com o cadastro único para
programas sociais do governo, exigido para a concessão do benefício.
Para ter direito ao desconto na conta de luz, é preciso estar em dia com
o cadastro do Número de Identificação Social (NIS), feito pelo
Ministério do Desenvolvimento Social.
Ao todo, foram 5,8 milhões famílias excluídas, ou 45% do total de
beneficiários de 2014, que somava 13,1 milhões. Até o ano passado, cerca
de 60% dos beneficiários eram do Nordeste e 20% do Sudeste. O restante
se dividia de forma semelhante no Norte, Sul e Centro-Oeste. A Aneel
informou que não fechou o número total de beneficiários excluídos. A
agência reconheceu que o potencial de exclusão era de 5,8 milhões, mas,
ao fazer o orçamento do programa neste ano, considerou que 5 milhões
deixariam o programa.
Custo
O programa Tarifa Social consumirá R$ 2,166 bilhões neste ano, ante R$
2,099 bilhões em 2014. Até o ano passado, o Tesouro bancava o custo.
Neste ano, ele será pago por todos os consumidores, que tiveram um
aumento extra na conta de luz. Por causa dos aumentos expressivos da
conta de luz neste ano, o gasto foi praticamente mantido, apesar dos
milhões de famílias excluídas. Se ninguém tivesse perdido o benefício, o
gasto seria de R$ 2,78 bilhões em 2015.
O programa funciona de forma escalonada, como o recolhimento de Imposto
de Renda. Uma família com consumo mensal de 250 kWh paga os primeiros 30
kWh com 65% de desconto; a faixa entre 31 kWh e 100 kWh com 40% de
desconto; a parcela entre 101 kWh e 220 kWh com 10% de desconto; e a
parte acima de 220 kWh sem desconto algum.
Fonte: Folha PE

