Lista de espera por um órgão em Pernambuco ainda é extensa, com 1.716 pessoas
Durante a semana de 20 a 24 de maio, a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) promove, em todo o Estado, a Campanha Estadual de Incentivo à Doação de Órgãos 2013. A solenidade de abertura da mobilização acontece, nesta segunda-feira (20/05), às 8h30, no Hospital Pelópidas Silveira, localizado no Km 06 da BR-232, no Curado, com a realização do curso sobre a Morte Encefálica e Doação de Órgãos.
“Os profissionais de saúde têm um papel muito importante para a realização das doações. Portanto, é fundamental que todos saibam a melhor forma de abordar as famílias e, também, como agir da forma mais rápida e eficiente caso um familiar autorize a doação”, afirma a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes.
Na terça-feira (21), a secretaria estadual de Saúde (SES) promove um curso sobre o tema da doação de órgãos para os estudantes de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O evento será de 8h às 17h, no Auditório de Enfermagem da instituição. À noite, a partir das 19h, Noemy Gomes fará uma palestra sobre Morte Encefálica e Transplantes de Órgãos na Plenária do Conselho Regional de Medicina (Cremepe).
O ciclo de palestras continua na tarde da quarta-feira (22), a partir das 14h, com a realização do Simpósio Estudantil sobre Doação de Órgãos, na Faculdade Pernambucana de Saúde. Além dos cursos, na quinta (23) e sexta-feira (24), mobilizadores sociais e técnicos da CT-PE estarão no Tribunal de Justiça de Pernambuco e no Ginásio Pernambucano, respectivamente, a partir das 14h, prestando orientações e distribuindo panfletos informativos.
Interior – As ações da Campanha Estadual de Incentivo à Doação de Órgãos também serão realizadas no interior do Estado. No Sertão e no Agreste, a abertura será feita, a partir das 8h, desta segunda-feira (20), com a mobilização dos profissionais de saúde dentro dos Hospitais Dom Malan e de Trauma, em Petrolina; Regional do Agreste, Unimed e Casa de Saúde Santa Efigênia, em Caruaru; além do Hospital Jesus Pequenino, em Bezerros. Outras diversas ações serão realizadas até a sexta-feira (24).
Dados – Atualmente, Pernambuco ocupa, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes, a 4ª posição em número absoluto de procedimentos no Brasil, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Este ano, o Estado alcançou a marca de 12 mil transplantes realizados, desde a fundação da Central de Transplantes, no ano de 1995. Os números de 2013 são animadores e apontam para um crescimento em relação ao ano passado, quando foram realizados 1.690 procedimentos – a melhor marca da história dos transplantes em Pernambuco. Este ano, de janeiro a abril, foram realizados 516 transplantes, um incremento de 8% comparado com 2012.
Além disso, desde o final do ano passado, Pernambuco conseguiu zerar a lista de espera por córneas, tradicionalmente responsáveis pela maior fila de espera por órgãos e tecidos. “Zerar a fila de córnea significa que quem entra na fila realiza o transplante em, no máximo, 1 semana. Por mês, em média, 70 novos pacientes precisam de uma córnea”, afirma Noemy.
Mas apesar dos muitos avanços conquistados, a lista de espera por um órgão ainda é extensa, com 1.716 pessoas (em abril de 2012 eram mais de 3,3 mil pessoas). São nove esperando por um coração, 119 por fígado, 1.532 pessoas aguardam rim, três aguardam, ao mesmo tempo, pâncreas e rim e 53 esperam por medula óssea. Além disso, outro fato preocupante é a recusa familiar, que lidera o ranking da Central de Transplantes como a principal causa de não doação de órgãos, atingindo o percentual de 53%. Nesses casos, as justificativas dos familiares estão relacionadas à vontade de manter o corpo íntegro e o desconhecimento sobre a vontade do morto. “É importante informar à toda a sociedade que o corpo do doador não fica mutilado, pois, segundo a própria legislação dos transplantes, o corpo tem que ser entregue recomposto para a família”, ressalta a coordenadora da CT-PE.
Doação – Qualquer pessoa pode doar seus órgãos, desde que não tenha passado por doenças que possam ter contaminado ou que prejudiquem o funcionamento do órgão. Para que ocorra a doação, primeiramente, é preciso haver a confirmação de morte encefálica do paciente – quando não há mais atividade cerebral, mas os órgãos continuam em funcionamento, com a ajuda de aparelhos. Para isso, há um rígido protocolo, com a avaliação médica e realização de uma série de exames. Após essa confirmação, é hora da permissão dos familiares para que ocorra a doação. O primeiro, e mais essencial, passo para se tornar um doador é avisar a seus parentes sobre esse desejo, pois, de acordo com a legislação dos transplantes no Brasil, a doação deverá ser consentida pelo familiar de até 2º grau. Após assinatura do termo de autorização, a Central encaminha o órgão para um receptor compatível, obedecendo a ordem da lista única do Estado. Não havendo compatibilidade, o órgão entra na lista nacional, podendo ser enviado para outro Estado do país.
O Brasil tem o maior programa público de transplantes e uma das mais rigorosas legislações do mundo, tendo como diretrizes a gratuidade da doação, a beneficência em relação aos receptores e não maleficência em relação aos doadores vivos. Essa legislação estabelece também garantias e direitos aos pacientes que necessitam destes procedimentos e regula toda a rede assistencial através de autorizações e reautorizações de funcionamento de equipes e instituições.
Quem tiver alguma dúvida ou quiser maiores informações sobre transplantes pode ligar para o telefone gratuito 0800-281-2185.
