Aulas são pontapé para carreira

O professor de matemática José Alberto Sales Filho, 60 anos, é cearense. Desde 1975 vive em Pernambuco, onde resolveu dedicar-se ao ensino dos princípios da robótica na Escola de Referência Silva Jardim, da rede estadual, no bairro do Monteiro, no Recife. Comanda um grupo de 45 alunos. O laboratório parece com a casa do Professor Pardal. Engenhocas espalhadas, ferramentas por todos os lados. Tudo para propiciar que os jovens deem um start numa possível carreira na área de robótica. A indústria agradece ao professor. Bom mesmo é saber que a iniciativa não é única. É um movimento geral em escolas de ensino médio e fundamental do Estado.

                                

“O Brasil precisa formar profissionais nessa área, não é um mérito só daqui. Importar essa mão de obra custa caro. Então é claro que há um interesse latente em formar novos profissionais. E das escolas, eles podem sair com uma base de conhecimento forte, sim”, afirma José Alberto. 

Quem concorda com José é a professora do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco Judith Kelner. Ela cita o exemplo da chegada da Fiat, em Goiana, na Zona da Mata Norte, como algo muito significativo para o campo da automação. “Eles prometem instalar uma fábrica automatizada. E, com ela, outras empresas virão nesse mesmo formato. O que, claro, abre os horizontes profissionais desses meninos que, hoje, estão trabalhando com robôs de Lego ou de sucata nas escolas”, diz. Estima-se que a montadora vá instalar 600 robôs. Ela também cita o caso da Petrobras. “A tendência é que as plataformas usem robôs quase na totalidade das operações. Entre outras coias, evita acidentes”, completa Judith, que ministra a disciplina tópicos avançados em mídia e interação com foco em robótica no CIn.

A verdade é que a robótica, de acordo com a professora, garante, no processo de trabalho, qualidade e segurança. “Evita que o material humano execute tarefas perigosas e esforços repetitivos.” A professora acredita que esse é o caminho futuro do mercado. “É por isso que considero, sim, importante, que desde cedo jovens se interessem pela área. Quando chegam na faculdade, se, por acaso, vierem a cursar alguma engenharia, terão uma noção. Vão se destacar e poderão fazer parte de grupos de pesquisa.”

Judith revela que já houve até empresa que solicitou ao CIn que seja montado um centro de treinamento específico de automação nos moldes do que já existe na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

O professor doutor em mecatrônica da UFPE André Murilo concorda que são muitos os benefícios da automação para a indústria. “A robótica de manipulação é uma forte aliada do mercado, das empresas. E esses princípios, agora, estão sendo vistos nas escolas desde cedo. Estudá-los desenvolve o raciocínio lógico, a capacidade de resolver problemas, a visão espacial e até o conhecimento de programação. Atributos desejados por esse novo mercado em crescimento no País.”

Para ele, as competições as quais as escolas locais têm participado geram um ecossistema muito bom de estudantes postos à prova desde cedo. “E é isso que o mercado busca. Pessoas com foco no negócio em desenvolvimento, disciplina, criatividade e capacidade de trabalhar em equipe.” 

Fonte: jconline

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