A comissão técnica da seleção brasileira negou nesta quarta-feira
(22) que tenha criado uma cartilha disciplinar para os jogadores
convocados, mas admitiu ter feito "ajustes" no regulamento de conduta
que, segundo Dunga, "existe desde antes de eu nascer para o futebol".
A nova cartilha da CBF, que possui 16 itens, impõe restrições aos
jogadores. De acordo com o documento, fica proibido o uso de brincos,
bonés e outros acessórios. Os jogadores também não poderão manifestar
opinião política e religiosa enquanto estiverem a serviço da seleção.
Ainda assim, o coordenador técnico da seleção, Gilmar Rinaldi,
procurou negar que esteja impondo linha-dura. "É uma empresa, uma
organização, que tem suas regras como eu tenho certeza de que todas as
empresas em que vocês trabalham têm. Nós estamos aqui agora, mas já
existia um regulamento interno. Eu peguei isso junto com o Dunga,
conversamos muito, com alguns jogadores até, porque algumas coisas são
importantes de se manter numa Copa do Mundo, num torneio ou num
amistoso", considerou.
"A gente quis deixar bem claro que é mais ou menos o clamor que todas
as pessoas falavam quando éramos torcedores, do outro lado. Colocamos
isso aos jogadores, bem explicado, num nível muito bom. Percebemos que
eles estavam querendo muito, para saber até onde podem ir", continuou
Rinaldi.
A nova cartilha exige que os jogadores cantem o hino nacional e impõe
até mesmo regras para as refeições - os jogadores precisam esperar os
companheiros terminarem suas refeições, sendo que o capitão deve ser o
primeiro a deixar a mesa. Também impede o uso de equipamentos
eletrônicos quando o grupo estiver reunido, como nas preleções. Além
disso, cobra o uso de roupas formais na apresentações e veta o uso de
chinelos.
O documento também é claro ao proibir a divulgação de informações da
seleção - nem mesmo assessores de imprensa dos jogadores poderão ter
acesso a elas. Mas, curiosamente, a própria cartilha interna de Dunga e
Rinaldi acabou vazando. "Vazou essa cartilha, mas eu falei para o Dunga
que acabou sendo muito bom, para que as pessoas tenham muito claro que
nós estamos trabalhando", minimizou Gilmar Rinaldi.
Dunga também procurou minimizar o tom do documento. "Apenas uma
ressalva: nós não proibimos nada. Nós sugerimos algumas coisas. Não é
uma cartilha, não é algo disciplinar. É uma coisa chamada organização.
Eu acho que o torcedor queria isso, vocês queriam. O que a gente fez foi
acrescentar algumas coisas que nós entediamos que eram importantes",
disse. Ele garantiu que não estão previstas penalidades previamente, e
que cada caso de infração será avaliado.